K-Fashion - Minissaias e política…

Hey!
Como eu disse ontem, hoje o post é sobre k-fashion, mais especificamente a cultura da minissaia e a velha ditadura.
Na Coréia do Sul o esquema é o seguinte, cubra seus ombros, não use decotes exagerados e não deixe as costas expostas, ok....só que quando falamos na parte inferior do corpo as regras são a seguinte, MOSTRE, as minissaias e mini shorts lá, são marca registrada. Em geral, nas ruas não é um mini vulgar, até porque temos que reconhecer que nós brasileiras de minissaia comparadas a uma coreana de minissaia chamamos muito mais atenção, porque elas são muito magras e tem poucas curvas, e como todo o resto está coberto as minissaias apenas servem para deixar o look mais feminino e alongar as pernas.
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E tudo estava lindo e feliz na terra da minissaia, quando o governo decidiu criar uma lei contra ‘super exposição pública’ e de repente começaram a circular a informação de que minissaias muito curtas iriam resultar em multas para as usuárias, que poderiam chegar ao equivalente a R$100,00. No meio dessa polêmica as mais afetadas foram as estrelas do k-pop, porque lá sim tem miniminiminissaias, ou melhor o que eles chamam de ‘no pants look’, que basicamente é usar praticamente uma blusa comprida, com um shortinho ou talvez uma calcinha de vovó por baixo, assim caso algum acidente acontecer pode dizer que na verdade você estava usando algo por baixo. Só que coreanas são ultra delicadas e conscientes dos seus movimentos, e tais acidentes raramente acontecem.
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Sobre isso a cantora Lee Hyori twittou: “Essa coisa de multa por comprimento de saia é pra valer? Por que se for eu estou perdida!”
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Então, quando começaram a questionar o governo e perguntar se essa medida incluiria os palcos ou somente as ruas, e todo mundo começou a reclamar do governo querer ditar as roupas da população e vetar a liberdade de expressão, o governo reformulou o discurso dizendo que a lei apenas se aplica a nudez pública e coisas do tipo, o equivalente ao nosso ‘atentado ao pudor’. E agora o k-pop respira aliviado.
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Dentro dessa polêmica relativamente boba das minissaias tem algo muito mais problemático sobre esse novo governo, pra quem não sabe, a presidente Park Geun-hye é filha do general Park Chung-hee, que depois de um golpe de estado, governou de 1961 até 1979 quando foi assassinado. Em maio de 1980, os movimentos estudantis pressionavam para que o país fosse democratizado, mais ou menos como ocorreu no Brasil. A cidade com a maior mobilização popular foi Gwanju. Durante esse movimento em Gwanju o governo ditador fez o que qualquer ditadura faria, enviou o exército e 165 pessoas morreram, 65 desapareceram e houve mais algumas centenas de feridos, esse episódio ficou conhecido como “O Massacre de Gwanju”.
Assim a presidente da Coréia do Sul agora foi eleita com 51,5% dos votos no total, mas em Gwanju ela teve apenas 7,7% dos votos contra 92% do candidato da oposição. Apenas duas regiões optaram pelo candidato da oposição: Seul e Jeolla-do, Seul sendo a região menos conservadora da Coréia e também a mais instruída (porém a margem de diferença entre os candidatos lá não foi suficiente pra mudar o resultado da eleição) e Jeolla-do onde fica a cidade de Gwanju. Quem financiava a ditadura sul-coreana era o EUA, e se você conhece um pouco da cultura coreana sabe que a sociedade deles é patriarcal, e que os filhos que vão contra os passos dos pais são deserdados e renegados, e se juntarmos a aquele ditado que “a fruta nunca cai longe do pé”, isso explica os recentes abalos na relação entre a Coréia do Norte e do Sul e as intervenções norte-americanas nesse relacionamento. O fato da presidente sul-coreana ser uma mulher não necessariamente significa uma evolução, na verdade medidas ditatoriais, como censuras exageradas, problemas nas relações internacionais e aumento na dependência sul-coreana com os EUA, é um grande retrocesso. Quem quiser saber mais sobre esse assunto clique AQUI que o “De Prosa na Coréia” fala mais sobre isso.
Já que é povo, contra ditadura, poder feminino e sensualidade, acho apropriado terminar com o Music Video “Sixth Sense” (Sexto Sentido) do grupo Brown Eyed Girls
Conta aí nos comentários o que você acha de tudo isso.
Abraço de Urso
Dryka B.

4 comentários:

  1. Concordo e discordo ao mesmo tempo. Porque se mostrar demais seja aqui ou lá na Coreia é vulgar, e não sexy. Essa lei devia ser aplicada aqui no Brasil, lá as mulheres são bem mais recatadas do que aqui. http://umareviravolta.blogspot.com.br/

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    1. A questão aqui não é julgar o que é vulgar ou não, mas sim o direito de escolha de cada um de se vestir como achar que deve. Eu, particularmente, também acho vulgar sair mostrando tudo assim, mas é um direito da pessoa e o Estado não deveria se meter em um assunto tão trivial, especialmente considerando todos os outros problemas que lhe dizem respeito. É da Coreia que nós estamos falando aqui! Discriminação contra mulheres? Prostituição? Uma guerra latente? Com tantos problemas reais por lá, quando a Dry me contou sobre essa lei juro que achei que fosse piada. E eu aqui reclamando da Dilma...

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  2. Eu acho que cada um usa o que quer e o que se sente bem.
    Agora que às vezes anda pessoal nú por aí, ah isso sim. Já vi muita legging transparente sem nada por cima, calção mais pequeno que cueca da avó, decote que mostra tudo, etc, etc. Normalmente fica vulgar. E os rapazes com quem tou à vontade para perguntar, sempre me dizem que é demais. Ou seja, eles olham, claro. Agora querer a namorada vestida assim é que não.

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    1. Acho que cada um tem o direito de se expressar e se vestir como tiver vontade, claro que eu também acho que as vezes é exagerado, mas é uma coisa tão estúpida para o governo se preocupar com tantas outras coisas verdadeiramente problemáticas acontecendo. Aumentar o comprimento da saia, não vai diminuir a prostituição por exemplo. Sabe-se também que essa presidente é veemente contra homossexualidade, o que é outro ponto extremamente negativo do governo dela na minha opinião.

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Dryelli, 24 anos, Maringá, PR