K-Pop 101 – Funcionário do mês!

Se você pensar em montar uma banda aqui no ocidente, você vai reunir alguns de seus amigos talentosos, fazer uma música, cantar pra um grupo de pessoas, aperfeiçoar, gravar uma demo e então tentar a sorte em uma ou mais gravadoras, até que uma te aceite.
Se você for um coreano, você vai basicamente enfrentar seus pais em 90% dos casos, tentar uma audição em uma agência, se você for aceito e virar o que eles chamam de ‘trainee’, terá que conciliar 10-15 horas de estudo diárias (que é a carga horária média das escolas coreanas) com treinamento vocal, rotina de exercícios, aulas de dança, aulas de atuação, dietas drásticas, às vezes cirurgias plásticas, entre outros.
E acreditem raramente eles abandonam os estudos, geralmente continuar é o acordo que fazem com os pais que não queriam que eles seguissem o caminho da fama pra começo de conversa.
Então eles treinam por 2-7 anos até que possam ser ou não julgados aptos. Se você sobreviveu ao período como trainee e se destacou em uma ou mais áreas e se encaixa no perfil que eles querem para criação de um novo grupo, te colocarão junto com outros trainees que você mal conhece e que você não escolheu, te darão um conceito que você não escolheu, te vestirão com roupas que você não escolheu e uma música que você não escolheu e te lançarão no mercado, o tão espero Debut.
Eu sei que parece brutal, mas nem todas as agências são tão terríveis, nem todo processo é tão ruim, mas é sempre muito exigente e intenso. Eles buscam a excelência e entregam excelência, é o que faz o K-Pop ser tão único, está inserido em uma cultura completamente diferente da qual estamos acostumados.
O canal BigBangBRS2 está legendando os episódios desse documentário e podem ser encontrados AQUI!
Eu nunca fui do tipo que prestasse atenção em qual era a gravadora responsável por tal banda que eu gostasse, ou se existia alguma diferença enorme entre elas, isso até eu entrar para o mundo K-POP. Na Ásia, gravadoras e fãs tem uma relação de amor e ódio e cada uma carrega uma determinada característica que não deixa dúvidas a quem pertence tal grupo/música.
Se você pensa em gravadoras ocidentais, você basicamente pensa ‘ah os responsáveis por gravar os CDs da minha banda favorita’. Bom, no K-POP a coisa é bem mais complicada que isso. É claro que as gravadoras ocidentais exercem certo poder sobre o estilo do artista e o que ele vai cantar e sua imagem no palco, mas as gravadoras orientais, por outro lado, controlam TUDO. O que você vai vestir, comer, onde vai dormir, quando vai dormir, quando vai namorar, o que vai cantar, com quem vai cantar. Gravadoras asiáticas são como nossos pais, exceto pelo fato de que o bem deles vem muito antes do nosso.
Todo fã tem uma relação de amor e ódio com alguma gravadora (chamadas de Record Label ou Entertainment Agency na maioria das vezes), seja pelo simples atraso no lançamento de uma música, o descaso na produção de um Music Video, falta de liberdade criativa, a separação do seu grupo favorito ou até mesmo maus tratos e violação dos direitos humanos.
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Quando paro pra pensar assim parece que fãs de k-pop são como a plateia das grandes lutas dos gladiadores, ou os espectadores das execuções publicas da Idade Média. Mas é claro que nem sempre é assim e que se fossem só problemas, não haveria tantas pessoas querendo entrar na indústria. Já foi muito mais pesado, hoje com a globalização e popularização do k-pop o tratamento desses k-idols melhorou muito.
Se por um lado você quer pôr esses artistas debaixo de suas asas e protegê-los das gravadoras, por outro você quer abraçar aquele CEO (chefe da empresa, o manda-chuva, o poderoso-chefão) responsável por juntar e gerenciar aquele grupo que você ama. Pelo Music Video incrível, a coreografia de tirar o fôlego e por ter escolhido aquela música específica como single.
São os dois lados da moeda. O lado negro e a beleza do k-pop. Se por um lado é absolutamente difícil e por vezes cruel, por outro é uma escolha e mostra apenas o quanto essas pessoas querem realizar um sonho e quanto estão dispostas a ultrapassar os próprios limites para conseguir.
O grupo Sunny Hill em “Midnight Circus” contou como é fazer parte da indústria e como você é esquecido quando não segue as regras.
E essa é a casa que G-Dragon, líder do BigBang deu de presente para os pais, mostrando que nem tudo é assim tão cruel ^^’’.
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Semana que vem falamos sobre as principais gravadoras sul-coreanas e suas ‘marcas registradas’!
Abraço de Urso
Dryka B.

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Dryelli, 24 anos, Maringá, PR