"Humans of Seoul" As verdadeiras cores da capital Sul-Coreana

Ainda que haja diferenças culturais entre pessoas de países distintos, há sempre o sentimento humano comum e a busca pela felicidade nos unindo. Isso foi o que eu aprendi no momento em que comecei a seguir o "Humans of New York" (HoNY) e eu não fui a única, a ideia se espalhou e hoje há centenas de blogs mostrando os humanos do mundo. Um deles é o "Humans of Seoul" (Humanos de Seul), pelo qual eu tenho um lugar especial no meu coração, já que me permite observar um pouco a Coréia do Sul além da música, os dramas da TV e os livros de história que eu tenho em mãos. Ele mostra as pessoas comuns vivendo pelas ruas de Seul.

Como a grande fã que eu sou, eu pedi ao "Humans of Seoul" pela chance de falar sobre o projeto e compartilhar com todos vocês, e para isso eles gentilmente responderam algumas perguntas.

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Dryka B. : Por que o projeto "Humans of New York" ("Humanos de Nova York") o inspirou?
Humans of Seoul: "Humans of New York" é uma grande ideia porque dá aos leitores uma espiada dentro das vidas únicas de pessoas que, em uma cidade tão grande quanto Nova York, talvez se percam na multidão de outra forma. HoNY também entrega mensagens e valores que frequentemente são subestimados na mídia atual, que demasiadas vezes se concentra nos aspectos negativos. Essas são pessoas com quem podemos nos identificar ou simpatizar, o que pode fazer-nos sentir conectados não importa onde esse indivíduo viva. Nós queríamos que o povo coreano experimentasse o mesmo sentimento. Em uma cidade com mais de 10 milhões de pessoas, é fácil se sentir sozinho ou diferente. Isso é especialmente verdade na sociedade coreana, onde a ênfase é colocada na consciência coletiva acima das ideias, valores e da existência geral do indivíduo.

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Dryka B. : Qual é, na sua opinião, a principal diferença entre "Humans of New York" e "Humans of Seoul"?
Humans of Seoul: Resume-se à cultura. Nós postamos na nossa página em ambos, coreano e inglês, para que leitores de outros países possam ver as similaridades e diferenças entre o povo da Coréia e de qualquer outro lugar do mundo. Do ponto de vista coreano, é comum inicialmente esconder ou mascarar nossos sentimentos e pensamentos daqueles a nossa volta. Nós estamos sinceramente curiosos quanto a como os indivíduos em Seul realmente são e não queremos só saber onde moram e o que fazem para viver. Espero que os leitores coreanos sintam que fazem parte de uma comunidade depois de seguir "Humans of Seoul". Outra diferença está no foco no auto-reconhecimento da felicidade. Seul, como capital do país, tem a mais alta taxa de suicídios e a mais baixa taxa de satisfação de vida. Nossos entrevistados frequentemente confessam suas visões pessoais sobre felicidade e procuram aconselhar, especialmente, a futura geração. Isso sugere um forte desejo de felicidade por baixo da dura pressão da sociedade sobre as vidas individuais, inspirando os leitores a terem um futuro melhor; é uma forma de humanidade sincera vinda de estranhos.

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Dryka B. : Eu tenho um amigo com quem geralmente converso através do Facebook e em algumas ocasiões a conversa é engraçada já que Português é minha língua nativa e ele é coreano, então nós temos que nos encontrar no meio do caminho conversando em inglês, mas ele não é tão bom e eu às vezes também me perco na tradução. Eu venho tentando aprender coreano aos poucos sozinha. Você já conheceu alguém nas ruas de Seul tentando superar a barreira linguística?
Humans of Seoul: As coisas são diferentes quando o estrangeiro vive em Seul. Existem milhares de aulas de coreano. Só por estarem em uma cidade coreana a sua proficiência no idioma tende a melhorar. A maioria dos estrangeiros, exceto por coreanos americanos, não falavam a língua bem, mas a pronúncia de algumas palavras necessárias como por exemplo:“Ajumma” (Senhora) e “Gyesan haejuseyo” (Eu gostaria de pagar a conta), são muito boas. Eu pessoalmente conheço estrangeiros que falam coreano muito bem, mas ainda não encontrei pessoas com a mesma habilidade pelas ruas.

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Dryka B. : Eu preciso dizer, eu me interessei pela Coréia por causa da música pop coreana e dos dramas, e através deles sempre se ouve sobre Busan, Jeju, Incheon, Gwangju, o que me deixa curiosa sobre as pessoas que vivem fora da capital. Vocês tem algum plano para começar outros projetos como esse em outras cidades coreanas ou pelo menos extendê-lo para ‘Humans of Korea’?
Humans of Seoul: Alguns administradores de páginas nos contataram nos estágios iniciais. Nós sempre os aconselhamos a colocar a humanidade em primeiro lugar. Como em "Humans of New York", "Humans of Seoul" atualmente visa a humanidade e a universalidade, não as características regionais; portanto, nós não temos certeza que forma uma página unida do projeto "Humans Of" teria na Coréia. Talvez seja divertido ver!

Dryka B. : Na minha pesquisa para saber mais sobre a Coreia, já que tantos aspectos sobre ela me fascinam, eu encontrei alguns blogs não tão amigáveis em relação a estrangeiros, o que atrasa e desencoraja a troca cultural entre pessoas de países diferentes. O Brasil tem alguns estereótipos ligados a ele e você provavelmente os conhece e, mesmo que não seja tudo sobre o país, é sim parte da nossa cultura. Existem muitas generalizações sobre a Coréia que não são realmente parte da cultura? E como as pessoas costumam reagir a elas?
Humans of Seoul: Nós também conhecemos o problema mencionado, mas é um pouco cedo demais para darmos uma resposta conclusiva à sua pergunta. Nós, incluindo a editora da edição em inglês, já moramos na Coréia há muito tempo; não é fácil para nós vermos como a cultura coreana é vista da perspectiva de outras culturas. O que contribui para esse problema é que tem existido formas muito limitadas para conhecer vidas coreanas como elas realmente são. Nós acreditamos que "Humans of Seoul" compensa as fontes escassas.

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Dryka B. : Como você mencionou antes Humans of Seoul foi inspirado pela iniciativa de Humans of New York, mas pode nos contar como surgiu a ideia? E um pouco sobre o time por trás de tudo, como de onde são, idades e futuras ambições?
Humans of Seoul: No verão passado, eu (editor chefe) fui informado pela minha amiga sobre um projeto de fotografia incrível. Ela simplesmente mencionou o site, me mandando o link: humansofnewyork.com. Primeiro eu pensei que o site fosse onde o fotógrafo agrupasse imagens de cidadãos estranhos de Nova York, mas conforme fui lendo postagens diárias do HoNY na timeline do Faecbook, minha percepção mudou completamente. Então, cheguei à conclusão de que o povo de Seul precisava de um projeto como HoNY. Logo em seguida liguei para o meu amigo, Kihun Park (diretor criativo), que trabalha como fotógrafo de moda. Depois de analisar vários episódios de HoNY, ele disse “Tudo bem, vamos fazer isso!”. Mais tarde, para uma tradução precisa para o inglês, nós recrutamos uma nativa da língua, Christy, que trabalha como professora de inglês na Coréia e lê coreano em um nível razoável. Nós não estamos certos quanto ao futuro desse projeto, mas a primeira meta por enquanto é esclarecer os cidadãos de Seul sobre felicidade e humanidade, aspectos que parecem esvair-se conforme o país se desenvolve.

10325286_10152006390392750_7763002987643420785_nCo-fundadores do "Humans of Seoul"

Aproveitar uma leitura, sair com os amigos, seguir os próprios sonhos…ainda que expressado em uma língua diferente ao redor do mundo, isso são coisas com as quais todos podemos nos relacionar. Aceitar as diferenças, admirá-las e abraçar as similaridades, é disso que esses projetos se tratam, e é assim que o mundo deveria ser também.

Obrigada ao "Humans of Seoul" por gentilmente conversar com o RomanticK e por nos mostrar um pouco das verdadeiras cores da Coréia.

Mostre seu apoio seguindo as páginas do "Humans of Seoul", e aproveite para ver mais histórias como essas:

Facebook: www.facebook.com/seoulhumans
Tumblr: www.humansofseoul.com

Não esqueça também de acompanhar o projeto original "Humans of New York"
Website: www.humansofnewyork.com
Facebook: www.facebook.com/humansofnewyork

*Agradecimento especial para Ingra Braga, que ajudou a traduzir e corrigir a entrevista!

Abraço de Urso
Dryka B.

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Dryelli, 24 anos, Maringá, PR